“Ensino nos cursos de engenharia precisa incorporar novas tecnologias”

A inovação produzida pela área de engenharia também deve estar presente na sala de aula, segundo o professor Edson Cezar Wendland, novo diretor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, anunciado em fevereiro. “A grade curricular dos cursos de engenharia foi desenvolvida, principalmente, depois da reforma de ensino de 1968. Nos últimos 50 anos, desenvolvemos várias tecnologias e conhecimentos, precisamos repensar a engenharia com essas novas tecnologias numa nova grade.”

 

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Ilustração: Emerson Freire

 

Wendland é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Mato Grosso em 1986. Doutor pela alemã Ruhr-Universität Bochum, ele está há 18 anos na USP, em São Carlos, atuando no Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC.

 

Para ele, seu maior desafio no comando da escola é discutir novas metodologias de ensino para motivar os alunos de graduação. “Precisamos verificar a dosagem da quantidade de informação que é repassada aos alunos, eventualmente, acaba sendo em excesso, pela combinação da formação tradicional. O ensino nos cursos de engenharia precisa incorporar as novas tecnologias.”

 

A carreira de engenharia é preferida na área de exatas, é a escolha de quase um quinto dos estudantes em 46 países. O percentual é de 17%, segundo o relatório Education at a Glance 2018, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na qual o Brasil é país parceiro.

 

A EESC é a mais antiga e a maior unidade de pesquisa e ensino da USP, em São Carlos. Os números de alunos matriculados comprovam. São 2.761 matriculados na graduação e 1.021 na pós. Wendland vai compartilhar a responsabilidade de gerir a unidade junto com o professor Denis Vinicius Coury, vice-diretor.

 

Em entrevista, Edson Cezar Wendland comentou sobre a EESC e os rumos da engenharia:

 

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Edson Cezar Wendland comandará a maior unidade de pesquisa e ensino da
USP, em São Carlos, a EESC – Foto: Assessoria de Comunicação da EESC-USP

 

O futuro da engenharia

Os cursos de engenharia tradicionais precisam desenvolver novas tecnologias e aprimorar as técnicas de desenvolvimento e de aplicação da engenharia. Esse é um lado da atuação de desenvolvimento futuro da engenharia, no sentido de garantir a segurança e qualidade das obras que já foram instaladas.

 

O outro lado é a questão do desenvolvimento tecnológico de novos equipamentos e facilidades que vemos ocorrendo continuamente. Um exemplo é a questão da comunicação. Há 20 ou 30 anos, não imaginaríamos ter a facilidade de nos comunicar através de um celular. Isso é um desenvolvimento tecnológico e, portanto, a engenharia vai continuar desenvolvendo na criação de mais facilidades para a sociedade.

 

Há exemplos também na área de transportes. Vemos que as distâncias estão diminuindo, o deslocamento das pessoas está acontecendo cada vez mais rápido. A mobilidade pede uma melhor movimentação das pessoas e vai levar ao desafio de se desenvolver meios de transportes mais seguros, rápidos e com ótimos alcances. Se pensarmos, por exemplo, que existem algumas empresas internacionais que querem desenvolver equipamentos para fazer deslocamentos até Marte, isso vai ser uma fronteira do desenvolvimento que a engenharia deve e vai acompanhar. Portanto, o transporte aeronáutico e até mesmo o aeroespacial são questões que vão ser desenvolvidas no futuro.

 

O perfil da engenharia em São Carlos

É difícil definir o perfil dos nossos estudantes e cursos de engenharia. No processo seletivo de ingresso na EESC, temos os cursos que estão entre os mais concorridos da USP, os alunos que vêm para cá são muito bons.

 

Temos um diferencial no campus de São Carlos que é estarmos inseridos em uma área urbana, de uma cidade do interior, com certa facilidade de deslocamento.

 

Vemos constantemente que os alunos são engajados no seu desenvolvimento pessoal, por exemplo, nas atividades extracurriculares, quando, até mesmo no final de semana, tem alunos no campus comprometidos com tais atividades.

 

Esse é o perfil diferenciado de nossos alunos, com bastante capacidade, muita iniciativa no desenvolvimento de projetos derivados do curso com grande afinidade temática e acredito que esse seja o perfil que caracteriza nossos alunos.

 

São vários grupos de extensão que se organizam, por exemplo, para construir veículos como baja ou mesmo aviões. Essas são algumas das iniciativas que eu tenho observado com bastante sucesso no campus.

 

Uma das prioridades da nossa gestão será apoiar essas atividades extracurriculares, verificando como podemos ajudar os alunos no sentido deles aprofundarem esses trabalhos, envolvendo mais alunos, além de aumentar suas motivações para que estejam mais engajados no curso e tenham o melhor aproveitamento possível.

 

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Novo vice-diretor, Denis Coury, que comandará a diretoria da EESC
com Edson Cezar – Foto: Assessoria de Comunicação da EESC-USP

 

Atração de talentos nacionais

A característica que define a EESC é o comprometimento com a formação de recursos humanos. Entendemos que a EESC é uma conquista da sociedade, justamente com uma missão de formar recursos humanos de alta qualidade para atender às necessidades da comunidade.

 

A escola tem um nível de qualidade de formação reconhecido pelos pares nacionais e internacionais, e é um centro de excelência na formação de recursos humanos em nível de graduação e pós-graduação.

 

A USP tem um alcance nacional e atrai estudantes com muito potencial de diferentes regiões do País, principalmente na EESC.

 

Em determinado ano, observei que, de 60 alunos ingressantes, praticamente 20 eram de fora do Estado de São Paulo. Eles eram do Piauí, Maranhão, Goiás, Minas Gerais e Paraná. E esses são os que eu lembro de cabeça. A EESC tem um renome muito grande, é um pólo de atração de alunos de todo o País.

 

As pesquisas da engenharia da EESC

Temos projetos de pesquisa na área de gestão ambiental, de resíduos e de todo tipo de problemas urbanos; na área de mobilidade, mecatrônica, mecânica. Além de desenvolvimento de novos materiais, tratamento de esgoto e água, projetos relacionados à engenharia aeronáutica com desenvolvimento de novas asas de avião, modelos de mobilidade e redução de ruído.

 

Na parte de engenharia elétrica, temos vários estudos relacionados à questão do desenvolvimento de novos materiais de propriedades que interferem na propagação de ondas de eletromagnéticas/luz. E outros projetos como a questão biomédica, com alguns projetos em desenvolvimento relacionados à mobilidade de pessoas que sofreram acidente com dano na medula, com perda de parte da mobilidade.

 

É muito difícil resumir ou elencar todos os projetos que meus colegas estão desenvolvendo, são várias áreas de aplicação da engenharia, em que a escola está atuando e está desenvolvendo novos projetos.

 

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Alunos da Escola de Engenharia de São Carlos – Foto:
Henrique Fontes / Assessoria de Comunicação do SEL

 

Mais professores

Uma preocupação que temos é a questão do nosso quadro docente. Os departamentos da EESC foram criados na década de 1970 e completam, no próximo ano, 50 anos. Isso é um ciclo longo, vários docentes que estavam presentes naquele momento estão encerrando o ciclo nessa década, com 40, 45 anos de atuação na EESC. Inclusive temos alguns que se aposentaram e continuam presentes.

 

Por conta do encerramento desse ciclo, com esse grupo de docentes que construíram a escola e o renome dela, estamos em uma fase de transição. Temos que iniciar paulatinamente a substituição e reposição desses docentes que tanto já construíram para a EESC. E essa vai ser uma das bandeiras com as quais vamos trabalhar bastante nessa gestão, construindo condições para que o legado desse ciclo (1970-2020) muito exitoso, seja continuado. E, para isso, nos engajaremos na questão de conseguir substituir esses docentes da melhor forma possível, mantendo o nível de qualidade da formação, excelência e reconhecimento da EESC.

 

É nesse ponto que nossa diretoria estará engajada, no sentido de realmente criar condições para que ocorram essas substituições dos docentes e que o nível seja mantido. Essa é uma questão central nossa, para que todos os docentes e alunos possam continuar desenvolvendo seus trabalhos com o nível de excelência costumeiro.

 

Confira também entrevista em vídeo com o vice-diretor da EESC:

 

 

 Por Caio Santana do Jornal da USP

 

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