História

Idealizada na década de 1940 como a instituição de ensino superior que compreenderia um conjunto de faculdades ou escolas em São Carlos, a Universidade sonhada por políticos e pela população em geral teve sua concepção apreciada, debatida, confrontada por opositores ferrenhos, vetada pelo governador Adhemar de Barros, depois reformulada e, por fim, aprovada, no âmbito legislativo, como estabelecimento de ensino e pesquisa, segmento da Universidade de São Paulo, já em funcionamento desde 1934.

  

O texto da Lei n° 161, de 24/9/1948, promulgada no dia seguinte e publicada no Diário Oficial n°217, é o seguinte: "Dispõe sobre a criação de estabelecimentos de ensino superior em cidades do interior do Estado e dá outras providências.

 

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo decreta e eu, Lincoln Feliciano da Silva, na qualidade de seu Presidente, promulgo, nos termos do artigo 25, parágrafo único, da Constituição Estadual, a seguinte Lei:

Artigo 1°— Ficam criados no interior do Estado e subordinados à Universidade de São Paulo os seguintes estabelecimentos de ensino superior:

I — Escola de Engenharia, em São Carlos.

II — Faculdade de Farmácia e Odontologia, em Bauru e Taubaté.

III — Faculdade de Medicina, em Ribeirão Preto.

IV — Faculdade de Direito, em Campinas.

V — Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em Limeira.

Artigo 2°— O Poder Executivo baixará o regulamento pelo qual deverão se reger os novos estabelecimentos de ensino superior criados pela presente lei.

Artigo 3° — A lei orçamentária do exercício em que se der a instalação dos estabelecimentos ora criados, consignará verbas adequadas ao custeio das respectivas despesas.

Artigo 4°— Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, aos 24 de setembro de 1948".

 

A população da região continuava demonstrando vívido interesse e necessidade de oferecer aos estudantes a possibilidade de concluírem o ciclo de educação formal com graduação em nível superior, sem que eles perecessem se mudar para estudar em São Paulo.

 

Visando à sua efetiva implantação pelo poder executivo, foram tomadas diversas iniciativas, tanto pelo governo estadual quanto pelo municipal, assim como pela Reitoria da Universidade de São Paulo.

 
Decidiu-se constituir comissões para tratar das providências iniciais para instalação e funcionamento da Unidade Universitária. Uma delas, incumbida pelo Magnífico Reitor Ernesto Moraes Leme de estudar in loco o assunto, foi composta, em 14/9/1951, pelos professores Antonio Carlos Cardoso, presidente; Bruno Simões Magro; Luiz Cintra do Prado; Telêmaco van Langendonck; e Zeferino Vaz, tendo, posteriormente, o professor Prado solicitado dispensa pela necessidade de ausentar-se do país.

 

Outra comissão foi a de Pró-Instalação da Escola de Engenharia, assim composta: Dr. Samuel Valentie de Oliveira, seu presidente; professora Elydia Benetti, secretária; prefeito de São Carlos, farmacêutico Leôncio Zambel; deputados Miguel Petrilli, Luiz Augusto de Oliveira e Vicente Botta. Em 3/7/1952, na USP, foi instituída a Comissão Executiva, integrada pelos professores Theodoreto Henrique Ignacio de Arruda Souto, presidente; Francisco João Humberto Maffei; e Paulo Spallini, em substituição a José Octavio Monteiro de Camargo. Para atuar em colaboração com esta Comissão, no dia 30 do mesmo mês de julho foi constituída uma Comissão Consultiva integrada pelos senhores: Dom Ruy Serra, bispo Diocesano; Hely Lopes Meirelles, juiz de Direito; Antonio Massei, prefeito municipal; Aldo de Cresci, presidente da Câmara Municipal; Ernesto Pereira Lopes, deputado federal; Luiz Augusto de Oliveira, Miguel Petrilli e Vicente Botta, deputados estaduais; Germano Fehr Júnior, delegado do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo; João Leopoldino Fraguas, presidente da Associação Comercial e Industrial; Ricard Hildebrand, presidente da Associação Rural; Vicente Giometti, presidente da Casa d'Itália; Bruno Simões Magro, Felix Hegg e Pedro Bento José Gravina, docentes da USP.

 

Em dezembro de 1951, reuniu-se em São Carlos a comissão incumbida do estudo in loco com a Comissão de Pró-Instalação da Escola de Engenharia e juntas realizaram um exame detalhado das instalações do prédio situado na Rua 9 de Julho, antigo número 93, que a diretoria da Casa d'Itália oferecera para a instalação provisória da Escola de Engenharia, pelo prazo de dez anos. Estudaram também três áreas de terreno cogitadas para a construção e instalação definitivas da Escola, recaindo a escolha sobre uma área do Posto Zootécnico.

 

Os dados fornecidos pela Prefeitura Municipal sobre a população estudantil do município de São Carlos demonstram que em 1951 havia quase oito mil alunos cursando a escola primária e aproximadamente mil e trezentos matriculados nas escolas secundárias da cidade.

 

Fundada em 4 de novembro de 1857, na região central do Estado, a cidade de São Carlos já contava com o funcionamento de cursos Normal, Pré-Normal, comerciais e profissionais, além da Escola Superior de Educação Física, do Conservatório Municipal, e outras.

 

Eram muito boas as condições das finanças municipais, registrando-se uma curva ascensional da receita do município nos cinco anos anteriores a 1951.

 

A população da cidade era de quarenta mil habitantes e do município, sessenta e cinco mil, ocupando uma área de 1.439 km². O perímetro urbano contava com a instalação de redes de água e esgoto, calçamento, telefones, luz elétrica, numerosas praças e jardins, além de três linhas de bondes elétricos e três linhas de ônibus modernos, que trafegavam pelos bairros mais distantes.

 

Já funcionavam na cidade bancos, jornais, estação de rádio, revistas, farmácias, Santa Casa de Misericórdia, Centro de Saúde, quase quatrocentos estabelecimentos comerciais e, gerando emprego para cinco mil operários, mais de trezentos estabelecimentos industriais grandes e pequenos em todo o município, dentre eles, fábricas de fiação e tecidos, lápis, geladeiras, motores elétricos, máquinas agrícolas, toalhas, calçados, laticínios, etc.

 

A ferrovia da Companhia Paulista e a rodovia estadual permitiam fácil acesso a São Paulo e já havia planos aprovados para possibilitar comunicação com Ribeirão Preto, em ligação rodoviária direta, assim também com Jaú, Bauru e outras cidades da Alta Paulista, segundo planos em estudos.

 

Há referência também à existência de "excelente aeroporto, com capacidade para grandes aviões, localizado a 200 metros da linha de bondes número 1".

 

Dentre outras atividades, a Comissão Executiva providenciou medidas referentes aos estudos dos projetos no Escritório Técnico da Cidade Universitária, manteve entendimentos com o Ministério da Educação, organizou concorrências públicas, etc. Finalmente, elaborou um anteprojeto que se tornou a Lei 1968, de 16/ 12/1952, que estabelecia a estrutura didática da Escola, criava cargos docentes e administrativos e dava outras providências.

 

A finalidade consignada para a Escola foi a de ministrar, desenvolver e aperfeiçoar o estudo da Engenharia, com a oferta inicial de: 1 — um curso fundamental; 2 — dois cursos normais; 3 — cursos de aperfeiçoamento, de especialização e de doutorado.

 

Foram aprovadas pelo novo governador de São Paulo duas solicitações de verbas destinadas à instalação da Escola. A primeira, por meio do Decreto n° 21.599-A, de 31/7/1952, referia-se à transferência, por empréstimo, sob forma de crédito especial, no valor de três milhões de cruzeiros, que fazia parte dos meios consignados à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. A segunda tratava da inclusão, na proposta orçamentária para 1953, da importância de dezoito milhões de cruzeiros, que mais tarde não foram liberados conforme se esperava.

 

O Conselho Universitário, atuando como Conselho Técnico-Administrativo da Escola, elegeu os professores Francisco João Maffei e Theodoreto Henrique Ignácio de Arruda Souto, e este último foi nomeado para dirigir a Escola, por meio do Decreto de 24/12/1952, inicialmente, para cumprir mandato de três anos, o qual depois foi sucessivamente reconduzido.

 

Organização e Funcionamento

 

Verifica-se em "Orientações no Ensino da Engenharia", contidas no Anuário da Escola de 1953 a 1957, que o professor Theodoreto de Arruda Souto apontou a pesquisa científica e tecnológica, a busca do desenvolvimento rápido da faculdade de raciocínio, o espírito crítico e a iniciativa do aluno como elementos de suma importância na formação do engenheiro.

 

Foi elaborada urna estrutura didática de curso capaz de propiciar um aproveitamento comparável aos melhores cursos internacionais de engenharia, habilitado ao reconhecimento pelas maiores instituições de ensino do mundo.

 

historia eesc autoridadesProcurou-se fornecer ao engenheiro uma formação integral, capaz de levá-lo a interagir satisfatoriamente com a sociedade, os meios de produção e os setores governamentais. Assim, aliou-se a oferta da instrução formal às orientações para a busca de contínuo desenvolvimento, por meio do ensino de disciplinas humanísticas.

 

Em 10 de março de 1953, foi obtida autorização para o funcionamento dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Mecânica, por intermédio do Decreto Federal n°32.394.

 

No primeiro concurso de habilitação para ingresso no Curso de Engenharia oferecido pela Escola, nas modalidades Engenharia Civil e Engenharia Mecânica, concorreram duzentos candidatos às cinquenta vagas concedidas e trinta e nove interessados foram aprovados e matriculados.

 

Na presença do Magnífico Reitor, secretários de Estado, deputados, autoridades locais, membros do Conselho Universitário, funcionários, alunos e pessoas da comunidade são-carlense, o S. governador do Estado, professor Lucas Nogueira Garcez, proferiu a aula inaugural, em 18 de abril, discorrendo sobre "A Influência da Engenharia Sanitária no Progresso Nacional".

 

As aulas do Curso tiveram início no dia 22 do mesmo mês de abril.

 

No dia 13 de dezembro de 1953, realizou-se uma cerimônia de encerramento do ano letivo, em que a Diretoria fez à sociedade de São Carlos um relato sucinto dos principais acontecimentos ocorridos na vida escolar no primeiro ano de funcionamento da Escola.

 

O Regulamento da Escola foi aprovado pelo Decreto 24.263-A, de 26/1/1955.

 

Os chamados "cursos normais de formação de engenheiros" compreendiam: um curso fundamental, como base científica indispensável ao estudo das ciências gerais do engenheiro e sua aplicação aos processos da Engenharia; um curso intermediário, compreendendo as ciências gerais do engenheiro; e cursos de aplicação, constituindo o estudo dos processos característicos da Engenharia, grupados nas suas especializações mais importantes para a região e para o país na época.

 

O curso fundamental, comum a todos os alunos, ministrado em quatro semestres, era constituído de Matemática, Física, Mecânica Geral e Química, matérias que serviam como alicerce para as que seriam estudadas mais tarde e também como meio essencial de formação da mentalidade dos futuros engenheiros. Praticava-se, além disso, o desenho técnico e à mão livre. Como assuntos complementares, lecionavam-se línguas: na primeira série, o português, e na segunda, o inglês ou francês, bem como era também ensinada a História do Homem e das Ideias.

 

Em 1956, foram instalados os cursos de aplicação em Engenharia Mecânica e Engenharia Civil (sétimo e oitavo semestres), neste último, com três opções regulamentares: Edifícios e Grandes Estruturas; Hidráulica e Saneamento; e Vias de Comunicação e Transporte.

 

A contar de 1953 até 1969, período em que vigorou o sistema de cátedras, o curso de Engenharia proporcionou estudos com programa seriado e matérias anuais. De 1970 até 1977, funcionou com o oferecimento de disciplinas semestrais, mediante o sistema de créditos. Atualmente, são oferecidas disciplinas anuais e semestrais, ainda sob a vigência do sistema referido.

 

De 1959 a 1972, ao aluno que completasse os cursos fundamental e intermediário e obtivesse aprovação nas disciplinas Topografia e Elementos de Geodesia I e II era também conferida a habilitação de Agrimensor, conforme estabeleciam os Regulamentos.

 

O sistema de cátedras na organização estrutural da Escola foi considerado uma inovação na época, com a reunião de cadeiras ou cátedras em departamentos científicos "atuantes sobre o entrosamento dos cursos e das pesquisas, e a distribuição das cadeiras em inúmeras disciplinas dotadas de certa autonomia, favorecendo as especializações e incentivando o desenvolvimento da carreira universitária" ("A Gazeta", de 17/4/1963, artigo intitulado "100 aniversário de instalação da Escola de Engenharia de São Carlos").

 

historia eesc biblioteca

 

São citados, no Anuário da Escola, de 1954, os seguintes Departamentos: de Matemática, de Física e de Química e Mineralogia.

 

Nos primeiros anos de existência, a Escola foi regida pelo Regulamento da Escola Politécnica e seu próprio Regulamento entrou em vigor em 1955. No Artigo 23 deste último, encontra-se o que já preconizava a lei de estruturação no tocante ao estabelecimento de Departamentos Científicos, para fins de ensino e pesquisa, que foram os seguintes, compostos pelas respectivas cadeiras:

Departamento de Matemática — cadeiras: n°3 — Mecânica Geral, n° 14— Cálculo e n° 15— Geometria.

Departamento de Física e Física Técnica — cadeiras: n° 16 — Física e n° 19 — Física Técnica e Máquinas Térmicas.

Departamento de Química e Mineralogia — cadeiras: n° 1 — Química e no 2 — Mineralogia e Geologia.

Departamento de Estrutura e Arquitetura — cadeiras: n° 4 — Ciência das Construções, n° 6 — Materiais de Construção, n° 8 — Solos, n° 20 — Pontes e Estruturas e n° 23 — Arquitetura.

Departamento de Vias de Comunicação e Topografia - cadeiras: n° 5 - Topografia, n° 13 - Portos e n°21 - Transportes.

Departamento de Hidráulica e Saneamento - cadeiras: n° 12 - Higiene e Saúde Pública e n° 22 - Hidráulica e Saneamento.

Departamento de Mecânica e Metalurgia - cadeiras: n° 7 - Metalurgia, n° 9 - Eletrotécnica, n° 17 - Máquinas - 1 cadeira e n° 18- Máquinas - 2° cadeira.

Departamento de Matérias Econômicas e Profissionais - cadeiras: n° 10 - Matérias Jurídicas e Econômicas e n° 11 - Matérias Profissionais.

No Anuário da Escola, de 1957, verifica-se a modificação do nome do Departamento de Matérias Econômicas e Profissionais para Departamento de Estatística Aplicada e Matérias Econômicas.

No final do mandato do primeiro diretor da Escola, foi publicado um documento que consiste em relato abrangente das atividades referentes ao período de 1953 a 1967, pelo qual se constata que a Escola era então integrada pelos seguintes Departamentos e respectivas cátedras:

Departamento de Matemática: cátedras n° 1 - Cálculo; n° 2 - Geometria; e n° 3 - Matemática Aplicada.

Departamento de Física: cátedras n° 4 - Física Geral e Experimental e n° 5 - Mecânica Geral. Departamento de Química e Geologia: cátedras ri° 6- Química e n°7 - Geologia.

Departamento de Engenharia Mecânica: cátedras n° 10 - Materiais de Construção Mecânica; n° 21 - Eletrotécnica; n° 22- Física Técnica; ri° 23- Mecânica Aplicada às Máquinas; e n°24 - Máquinas Operatrizes e de Transporte.

Departamento de Estruturas e Arquitetura: cátedras n°9 - Materiais de Construção Civil; n° 11 - Resistência dos Materiais; n° 13 - Arquitetura e Planejamento; n° 14 - Estruturas de Concreto; n° 15 - Estática das Estruturas; e n° 16 - Mecânica dos Solos, Fundações e Obras de Terra.

Departamento de Hidráulica e Saneamento: cátedras n° 19 - Hidráulica e n°20 - Saneamento. Departamento de Vias de Comunicação e Topografia: cátedras n° 8 - Topografia e Elementos de Geodésia; n° 17 - Projeto e Construção de Estradas ; e n° 18 - Transportes.

Departamento de Estatística Aplicada e Matérias Econômicas; cátedra ri° 12- Estatística Aplicada e disciplina autônoma Matérias Jurídicas.

 

A evolução de algumas cadeiras encontra-se em dois trechos de Ata da Congregação: o primeiro, da 29" Reunião, de 25/10/1968, faz referência às cadeiras n° 22, Mecânica Geral dos Fluidos, integrada pelas disciplinas Mecânica dos Fluidos e Máquinas de Fluxo; e n" 25, Termodinâmica Aplicada, originada do desdobramento da antiga cadeira n° 16, Física Técnica e Máquinas Térmicas. Em trecho de Ata da 35" Reunião da Congregação, de 21/2/1969, consta que a cadeira n° 6 passou a ser Química Geral e Tecnológica; a n° 12, Estatística Aplicada, Matérias Econômicas e Administrativas; e é mencionada a no 26, Estruturas Metálicas.

 eesc historia 3

Primeira Turma

 

Finalmente chegou 1957, ano de conclusão de curso da primeira turma de engenheiros. A cerimônia de colação de grau dos alunos do Curso de Engenharia, nas Habilitações Engenharia Civil e Engenharia Mecânica, realizou-se no Cine Teatro Avenida, em 17 de janeiro de 1958. A sessão solene, presidida pelo Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo, professor Gabriel Silvestre Teixeira de Carvalho, contou com a presença de grande número de pessoas, dentre elas, altas autoridades, vários membros do Egrégio Conselho Universitário, professores de outras Unidades Universitárias, corpo docente da Escola, alunos e familiares, pessoas da sociedade paulistana, são-carlenses e pessoas de outras cidades da região.

 

O paraninfo da turma, governador Jânio da Silva Quadros, aceitou o convite, mas, não podendo comparecer à cerimônia, redigiu um discurso - "Oração do Paraninfo" -, e fez-se representar pelos secretários da Fazenda e do Governo, respectivamente, professor Carlos Alberto de Carvalho Pinto e Sr. Francisco Carlos de Castro Neves.

 

Após o juramento regulamentar, foi conferido o grau de engenheiro aos formandos: Affonso Celso Abs Agostinho, Aguinaldo Molina, Antonio Pescarini, Araken Silveira, Aryldo Mazza, Elias Calil Cury, Evelina Bloem Souto, Gerdal Marangoni, João Pessoa Bruel, Lazaro Domingues de Oliveira, Nélio Gaioto, Olyntho Muniz Dantas, Osmar Giriboni e Ronaldo Fleming de Rezende.

 

Na sequência, foi entregue o prêmio "Jesuíno de Arruda", instituído pelo sr. José Soares de Arruda, ao aluno que obteve a melhor nota durante o curso, Araken Silveira.

 

Logo após, discursou o representante da turma de engenheiros, Olyntho Muniz Dantas, o diretor da Escola, professor Theodoreto de Arruda Souto, e depois o Secretário da Fazenda, professor Carvalho Pinto, que leu o discurso do paraninfo.

 

Antes de agradecer e encerrar a cerimônia, o Magnífico Reitor dirigiu ao público palavras solenes alusivas ao importante evento.

 

 historia eesc turma

 

 

Ilustres Visitantes

 

Durante os primeiros anos de funcionamento, a Escola de Engenharia de São Carlos recebeu inúmeros visitantes, dentre os quais:

O cônsul Italiano Luigi Martelli e o adido cultural Edoardo Bizzarri, que foram saudados pelo professor Achille Bassi, com discurso alusivo ao importante significado da Unidade Universitária recém-implantada, em 20 de setembro de 1953.

 

Diversas personalidades, durante 1954, dentre elas, o engenheiro José do Canto Moniz, da Junta Rodoviária de Portugal, em 5 de agosto. Além de vários entendimentos com a Administração e o corpo docente da Escola, o visitante proferiu uma palestra referente às obras de sua especialidade em Portugal, ilustrada com farta documentação de filmes, que impressionou bastante a assistência.

 

Em setembro, uma delegação da Universidade de Coimbra, composta pelo professor Maximiano Correia, chefe da delegação, professor Pimentel Duarte e uma grande turma do Orfeão Acadêmico da Universidade Portuguesa, que foram recebidos e saudados pelo Diretor. O professor Pimentel Duarte proferiu uma interessante aula em que relatou vários trabalhos originais.

 

historia eesc almocoO professor Eurípedes Simões de Paula, vice-reitor da Universidade de São Paulo, que assinou, em 4 de fevereiro de 1965, com a Prefeitura Municipal de São Carlos, uma escritura de doação, para a Universidade, de mais uma área de 21.500 m2, para a instalação da Escola.

 

O professor Alípio Corrêa Netto, Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo, poucos dias após a data em que assumiu seu cargo, 26 de fevereiro de 1955, acompanhado de seu secretário particular, Dr. Luiz Gonzaga Mural, além do dr. Gabriel Teixeira de Carvalho.

 

Posteriormente, os professores Pedro Bento José Gravina e Octávio Barbosa, ambos da Escola Politécnica de São Paulo; Lysandro Pereira da Silva, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; J. Peters, do Instituto Técnico de Aeronáutica; Arquimedes Guimarães, da Escola Politécnica da Bahia; engenheiros Boaventura Gravina, Nelson Barbieri e Fauze Chade, de Araraquara.

 

Em fevereiro de 1967, o Dr. Luiz de Castro Benigno, do Ministério da Educação e Cultura; o professor João Alfredo Libânio Guedes, cio Colégio Pedro II e da Faculdade de Filosofia do Distrito Federal.

 

O professor João Christovão Cardoso, catedrático da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil e presidente do Conselho Nacional de Pesquisas, em 20 de março, perante numerosa assistência, em recinto da Escola, proferiu a aula inaugural dos cursos de 1957, discorrendo sobre a ciência e a pesquisa no Brasil.

 

Também durante o mês de março: Afrânio do Amaral, diretor do Instituto Butantã; Marcelo Damy de Souza Santos, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo; Aristóteles Orsini, diretor da Faculdade de Farmácia e Odontologia da Universidade de São Paulo; Francisco de Assis Magalhães Gomes, da Escola Politécnica de Belo Horizonte da Universidade de Minas Gerais.

 

O engenheiro investigador Joaquim Laginha Serafim, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa, no mês de maio.

 

Em junho os professores Paulo Guimarães da Fonseca, Francisco João Humberto Maffei e Oscar Begstrom Lourenço, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo; Francisco de Assis Barcelos Corrêa, da Escola Politécnica de Belo Horizonte da Universidade de Minas Gerais.

 

O Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo, professor Gabriel Teixeira de Carvalho, no mês de julho.

 

O professor Cândido da Silva Dias, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, que esteve em São Carlos, em agosto.

 

historia eesc janioO professor Érico da Rocha Nobre, diretor da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", da Universidade de São Paulo de Piracicaba, e o professor Edson Farah, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em setembro.

 

No mês de outubro, o professor Ornar Catunda, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, além do engenheiro G.F. Lang.

 

Em novembro, o engenheiro investigador Julio Ferry Borges, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa, e o engenheiro René Jupillat, do Laboratório de Chatou, França, e encarregado de vários estudos de portos, no Brasil.

 

No dia 4 de novembro, o Sr. Juscelino Kubitschek, Presidente da República e o Sr. Jânio Quadros, Governador do Estado de São Paulo, participaram de um almoço comemorativo do centenário de São Carlos, oferecido, por solicitação da Prefeitura Municipal, no Bloco E-1. Foi uma grande concentração de autoridades e pessoas representativas visitando as instalações da Escola.

 

Corpo Docente

 

O Corpo Docente da Escola era, inicialmente, constituído de professores catedráticos; professores adjuntos; assistentes e instrutores. Segundo a legislação, "além dos titulares mencionados, poderão fazer parte do corpo docente, por contrato ou designação, professores, docentes-livres e assistentes, para realização de cursos e trabalhos especiais". Dentre as atribuições dos membros do Corpo Docente constavam o desempenho dos encargos didáticos e a obrigatoriedade de orientar e proceder estudos, seminários e pesquisas.

 

Além de ministrar e orientar cursos, os regentes das cadeiras tinham a seu cargo o incentivo, a coordenação e a execução de estudos e indagações científicas e técnicas e a formação dos assistentes e instrutores, dentro da carreira do magistério.

 

Foi prevista a possibilidade de os membros do Corpo Docente, em regime de tempo integral, exercerem funções na Escola de Engenharia de São Carlos, como simultaneamente nesta e em Institutos anexos ou outros na Universidade de São Paulo, uma vez que essas atividades fossem intimamente relacionadas e trouxessem vantagem ao ensino e ao progresso da ciência e da técnica.

 

Em 25/7/1955, a Diretoria da Escola recebeu o Parecer n°218 da Comissão de Ensino Superior cio MEC, que atestava, pela apreciação dos curricula vitae, haver a Escola feito magnífica escolha de pessoal docente.

 

"Nestas condições, a comissão, assinalando o cuidado com que procedeu a Escola no provimento interino, por nomeação ou contrato, de cadeiras vagas, bem como as nomeações de assistentes e instrutores, em comissão, julga que pode o processo ser arquivado."

 

Durante 1956, dado o crescimento natural da Escola, com a constituição de novas cadeiras, o Corpo Docente ampliou-se com a contratação de novos professores e auxiliares de ensino.

 

A dificuldade para se conseguir pessoal docente tinha-se agravado porque a maior parte das disciplinas iniciadas em 1956 eram de ciência aplicada, isto é, de engenharia, o que requeria especialistas ligados ao meio profissional ou então professores de outras escolas.

 

Mesmo assim, o Corpo Docente composto demonstrou que estava à altura das necessidades, e as pequenas falhas apresentadas foram sanadas aos poucos.

 

Os maiores problemas enfrentados deu-se no tocante à Engenharia Mecânica, porque se tratava de um setor em que praticamente não havia especialistas nacionais e os estrangeiros residentes no país, quando preenchiam as condições necessárias, eram demasiadamente solicitados pelo meio técnico.

 

O diretor empenhou-se na constituição do corpo docente da Escola com os melhores e mais experientes professores e profissionais de engenharia, brasileiros e estrangeiros, vários de renome internacional. Dentre os primeiros contratados, diversos eram provenientes de países como Itália, Rança e Alemanha.

 

A Escola prosseguiu admitindo excelentes profissionais, docentes de projeção, considerados imprescindíveis ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa.

 

As cadeiras reunidas abrangiam vários semestres letivos, assim como várias disciplinas afins e exigiam do respectivo professor trabalho mais árduo e complexo.

 

No período de 25 a 28 de novembro de 1958, realizou-se na Escola o primeiro concurso de títulos e provas para preenchimento de cátedra.

 

O candidato inscrito, livre-docente Sergio Mascarenhas Oliveira, obteve aprovação unânime, com distinção, por parte da Comissão Examinadora, formada pelos professores: João Christovão Cardoso, Abrahão de Moraes, Francisco de Assis Magalhães Gomes, Luiz Cintra do Prado e Marcelo Datny de Souza Santos.

 

A tese apresentada foi: "O novo método de Germen Monocristalino e a Análise do efeito Costa Ribeiro" e o candidato aprovado para preencher a cátedra de Física - Física Geral e Experimental, partes A e B - tomou posse em sessão solene, realizada no dia 22 de dezembro daquele mesmo ano, sob a presidência do Magnífico Reitor, professor Gabriel Teixeira de Carvalho e na presença de representantes cio Conselho Universitário.

 

O regime de trabalho preferencial na Escola, em consonância com os objetivos primordiais da USP encontra-se registrado em publicação da Diretoria de 1961, nos seguintes termos: "O pessoal deve ser contratado exclusivamente em tempo integral, podendo compreender professores, assistentes, estagiários e técnicos em geral".

 

A organização da carreira docente verificou-se da seguinte forma, pelo Estatuto de 1969, com redação dada pelo Decreto n°52.483, de 3/7/1970: Professor Assistente; Professor Assistente Doutor; Professor Livre Docente; Professor Adjunto e Professor Titular. Os cargos eram constituídos pela primeira e última categorias citadas e as funções, pelas demais. Após a extinção das cátedras, os antigos Professores Catedráticos passaram a Professores Titulares.

 

Funcionários

 

O corpo de servidores não-docentes da Escola passou a ser constituído à medida que se desenvolviam as atividades e dentro da estrita necessidade.

 

No ano de 1953, foram admitidos 36 funcionários na Escola. Foi promovido um concurso para escriturários extranumerários, em setembro de 1954 e, assim, o número de funcionários chegou a 56 no final de dezembro do mesmo ano.

 

Em consequência das disposições governamentais de compressão de despesas, face à situação financeira do Estado, a Escola de Engenharia de São Carlos enfrentou sérias dificuldades para nomeação e contratação dos servidores indispensáveis.

 

No Regulamento de 1955, consta a centralização dos serviços pertinentes ao atendimento do movimento escolar e administrativo em uma Secretaria que compreendia Seções como Biblioteca, Expediente e Pessoal, Compras e Alunos; e Setores de Tesouraria, Contadoria, Protocolo e Arquivo, Manutenção e Equipamento, Almoxarifado e Portaria.

 

O primeiro secretário e depois assistente técnico acadêmico, Dr. Manoel Fráguas, faz parte da história da Escola de Engenharia de São Carlos. Sua colaboração remonta à fase de instalação da entidade, para a qual, corno chefe do Gabinete do Magnífico Reitor, prestou relevantes serviços de assessoramento. Depois, aceitou o convite do professor Theodoreto de Arruda Souto para exercer as funções de secretário da Escola. Como seu primeiro funcionário, viu-a nascer no antigo prédio da Casa d'Itáli a, colaborou ativamente no processo de criação e reconhecimento dos seus primeiros cursos, na elaboração das estruturas curriculares, na contratação dos primeiros professores, bem como teve atuação marcante na solução dos problemas surgidos na fase de providências para sua instalação e subsequente funcionamento.

 

Antes de ingressar na Universidade de São Paulo, o Dr. Manoel Fráguas, advogado, fora conselheiro municipal, vereador e prefeito de Jaboticabal.

 

A afabilidade e equidade no trato distinguiam a atenção que dispensava a todos. Com o carisma de uma invulgar simpatia pessoal, o Maneco, como muitos o chamavam, foi o mestre moderador na vida da Escola e sempre soube fazer com que os elevados interesses da educação estivessem sempre acima das paixões pessoais. Com essa liderança eficiente e fecunda, aposentou-se em 28/8/1978 e o reconhecimento da comunidade universitária do Campus de São Carlos traduziu-se em homenagem que lhe foi prestada, com a atribuição do merecido título de "Secretário Perpétuo da Escola".

 

Antes dessa distinção, recebera uma "Menção de Honra ao Mérito", por ocasião do trigésimo aniversário da Escola, conferida pelo então diretor, professor Dante Ângelo Osvaldo Martinelli. Falecido em 9/5/1983, teve seu retrato colocado, como homenagem póstuma, no Salão Nobre da Congregação da Escola, no dia 7/12/1984, ocasião em que o ilustre Bacharel Carlos Musetti foi convidado para proferir algumas palavras, ele que trabalhara aproximadamente vinte anos ao lado de Maneci e era, então, assistente técnico acadêmico.

 

Ocupação das Primeiras Edificações

 

A cessão do prédio da Casa d'Itália, a título precário e gratuito, pelo prazo de dez anos, acha-se registrada em Ata de reunião de 15/3/1952 daquela Sociedade e formalizou-se por meio de Convênio firmado com a Universidade de São Paulo, em 18/11/1955.

 

O edifício foi submetido a várias obras de adaptação, sendo parte de reforma e parte de ampliações. Por conta desses trabalhos foi pago, até 31 de dezembro de 1953, pouco mais de um milhão e meio de cruzeiros. Com isso puderam funcionar, já no início do ano, salas de aulas, o Laboratório de Física e salas para professores, além de outras repartições indispensáveis, tais como Biblioteca, Diretoria, sala de espera e de reunião do Corpo Docente, secretaria, expediente geral, tesouraria, contadoria e almoxarifado. No ano de 1954, com a conclusão da reforma e ampliação do prédio, as instalações foram acrescidas de uma sala de desenho, laboratórios de Química e de Mineralogia e Geologia, uma segunda sala para a Biblioteca e, para o Centro Acadêmico, duas salas vizinhas a uma área coberta e um pequeno bar. Também foi construída a casa do porteiro.

 

O lema "Nesta Casa se procura a verdade científica e se estuda a técnica de adaptação das energias da natureza ao serviço da humanidade", do primeiro diretor da Esbata, foi impresso nas paredes do edifício, atual sede do Centro de Divulgação Científica e Cultural, vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária e aos Institutos de Física e de Química de São Carlos da USP.

 

Em 1955, o aluguel de um prédio situado na Rua Episcopal, 1289, possibilitou o funcionamento das cadeiras novas de Metalurgia, Máquinas I e Ciência das Construções. No mesmo endereço iniciaram as atividades do então Departamento de Vias de Comunicação e Topografia da Escola.

 

Após dez anos de ocupação do imóvel da antiga Casa d'Itália, a Escola ainda mantinha funcionando no local, os Departamentos de Física, Matemática e Mecânica Geral, além da maior parte da Biblioteca estavam lá situados.

 

Tendo a Sociedade Italiana "Dante Alighieri" de Cultura, sucessora da Casa d'Itália, declarado, em 1962, a necessidade de utilizar o prédio para o reinício de suas funções de ensino e cultura, firmou-se um termo de aditamento ao convênio com a Universidade, prorrogando por mais um ano a ocupação pela Escola e estipulando o pagamento de aluguel mensal após aquele prazo. O referido termo foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 17- 12-1963.

 

Em 1969, quando a Sociedade novamente solicitou a restituição do imóvel, este ainda abrigava o Laboratório de Ressonância Magnética, Departamento de Matemática e sua Biblioteca, além da residência do zelador.

 

 

A Criação do Campus

MARCO INICIAL. BLOCO E-1

 historia eesc governador

O terreno do Posto Zootécnico, doado pela Prefeitura Municipal, em 1952, para as construções necessárias à instalação definitiva da Escola, com área de 98.050,50 m2, situado na periferia de São Carlos, distava aproximadamente uni quilômetro do centro da cidade e já era servido por energia elétrica de alta e baixa tensões, uma adutora de serviços de água da cidade e um emissário de esgotos. A linha de bondes passava na entrada e os ônibus urbanos a uma quadra de distância.

 

A área do terreno foi acrescida até 1953, de pouco mais de 35.000 m2, com doações de pequenas glebas pela Prefeitura.

 

Em 27 de março de 1954, foi assinada a escritura definitiva de doação da área do terreno de 135.000 m2 e, em 23 de agosto do mesmo ano, foi doada nova área de 21.500 m2, vizinha à primitiva, cuja escritura foi assinada em 1955.

 

Estudadas as características do terreno e os tipos de obras que nele deveriam ser executadas, decidiu-se a localização da área reservada a cada tipo de atividade. Pretendia-se criar instalações para professores mais próximas da cidade, setores de ensino e administração no centro e acomodações para alunos, inclusive residência, campos de esporte, piscinas, ambiente social e restaurante, no extremo norte do terreno.

 

O subsolo para as fundações do primeiro prédio foi objeto de sondagens e estudos diversos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que apresentou ainda um relatório para o cálculo do respectivo estaqueamento.

 

Para este último serviço contratou-se, após concorrência pública, a Sociedade Brasileira de Fundações- (SOBRAF), com a qual foi assinado contrato.

 

No dia 4 de setembro de 1954, iniciavam-se os trabalhos de preparação do terreno para as construções, os quais foram concluídos após a terraplenagem.

 

Em 9 de novembro do mesmo ano, realizou-se a cerimônia do lançamento da pedra fundamental, sob a presidência do Sr. governador do Estado, professor Lucas Nogueira Garcez. Marcaram presença autoridades locais e grande número de membros da comunidade, fazendo-se na mesma ocasião a cravação da primeira estaca.

 

Foi entregue ao escritório do arquiteto Hélio de Queiroz Duarte e do engenheiro Ernest Robert de Carvalho Mange, com autorização concedida pelo Conselho Universitário, em 12/2/1954, o encargo de executar um estudo preliminar e um anteprojeto para a construção dos prédios e instalações definitivas da Escola a partir do início do ano seguinte.

 

Por meio de concorrência, foram selecionados especialistas para elaboração do projeto de estrutura de concreto e instalações gerais.

 

Passou-se depois aos trabalhos de moldagem e cravação das 200 estacas previstas e também publicou-se o edital de concorrência para a construção total do primeiro prédio.

 

Firmou-se contrato por administração, em que se estabeleceram multas como prêmios referentes ao preço e à duração da obra, além da exigência dos processos e equipamentos mais modernos e econômicos para a construção.

 

O projeto inicial previa a construção de diversos outros prédios que não puderam ser edificados por falta de verbas.

Já era esperado um período de contenção de despesas e, no início de 1955, as obras foram suspensas em virtude do congelamento dos recursos financeiros destinados à Escola. Liberados parceladamente mais tarde, decidiu-se inserir diversas modificações em detalhes para maior economia. Somente em 1956, a metade do prédio foi concluída e passou a ser ocupada pela Escola. Em 1957, a construção do Bloco E-1 foi terminada, o que possibilitou a mudança gradativa de alguns setores que funcionavam no prédio da Casa d'Itália.

 

O edifício consistiu de quatro pavimentos, com área útil total aproximada de 3.400 m2. A adoção do sistema de divisórias removíveis permite fácil adaptação dos ambientes às necessidades ocasionais. A cobertura do prédio foi projetada para fins didáticos e de pesquisa, sendo o pavimento térreo destinado a serviços para alunos, instalação de um laboratório e circulação sob o vão livre. Conta-se que o Presidente Juscelino fez questão de passar sob o prédio dirigindo o carro que o trouxera a São Carlos.

 

historia eesc obras

 

O Bloco E-1 é considerado uma obra marcante, tradução e consolidação da arquitetura moderna, verdadeiro referencial da arquitetura escolar brasileira. Sua construção fugiu às soluções dadas até então pelos projetistas especializados na edificação de prédios escolares, que tradicionalmente imprimiam o estilo neoclássico a esse tipo de instalação.

 

Não obstante o emprego de concreto armado, aço e vidro, o prédio erguido sobre pilotis transmite ao observador uma ideia de leveza e harmonia, talvez acrescida pelo detalhe característico impresso nas escadas externas construídas em sua face norte.

 

Outras Construções

 

Logo após o término do Bloco E-1 foram tomadas as providências para a construção de um pavilhão do tipo industrial, denominado Bloco E-2, com 800 m2. Concluído em 1958, além do Laboratório de Hidráulica, destinou-se a abrigar os laboratórios de Ensaios Mecânicos de Materiais e Metalurgia, cadeiras estas que estavam instaladas provisoriamente em prédio alugado já referido.

 

Entre 1959 e 1960, construiu-se um pavilhão provisório para funcionamento de várias instalações da cadeira de Física Técnica, compreendendo o túnel aerodinâmico e outros aparelhos. Foram iniciadas as construções do Pavilhão Social de Alunos e dos prédios especialmente destinados às cadeiras de Máquinas, para a instalação de um Laboratório de Metrologia de Precisão.

 

Foi elaborado o projeto geral de obras para 1961, que previa a construção de prédios, anfiteatros, vias de acesso, áreas ajardinadas, etc.

 

Os dois anfiteatros da Escola, cuja construção iniciou-se em 1961, foram concluídos em 1962. Um deles, o antigo Anfiteatro I, após reformas realizadas na década de 1990, transformou-se em Anfiteatro de Convenções, o qual passou a denominar-se "Jorge Caron", por aprovação da Congregação da Escola.

 

O primeiro alojamento para 75 alunos, a piscina e a quadra de esportes foram construídos durante a gestão do primeiro diretor.

 

Laboratórios e Oficinas

 

historia eesc francisco

 

A partir da ocupação das instalações destinadas à Escola, foram tomadas providências para permitir o funcionamento de laboratórios, para a seleção e admissão de pessoal capacitado, além da canalização de esforços para adquirir material de primeira qualidade, destinado tanto ao ensino como à pesquisa.

 

Entrou em funcionamento urna oficina de precisão para possibilitar em pouco tempo a realização, na própria Escola, de consertos, montagens e mesmo fabricação de diversos aparelhos, facilitando a obtenção rápida e econômica de aparelhagem indispensável aos serviços científicos e às aulas.

 

Com a implantação das cadeiras do Curso Intermediário, foi necessário providenciar a organização de novos laboratórios.

 

Em 1955, embora seguindo-se uma política de economia, puderam ser ampliados alguns laboratórios e várias máquinas e instalações pesadas foram adquiridas, conseguindo-se também grande redução de despesas graças à importação das peças mais caras com ágio de apenas quinze cruzeiros por dólar.

 

Foram projetadas para a cadeira de Hidráulica e para a de Solos as respectivas instalações e fabricados alguns aparelhos e peças em oficinas de São Paulo e de São Carlos.

 

O Instituto de Eletrotécnica, anexo à Escola Politécnica, executou diversos trabalhos, inclusive o referente a um laboratório de Analogias Elétricas, que foi utilizado por várias cadeiras da Escola, inaugurado no final de 1956.

 

Após a concorrência, firmou-se contrato com a firma Geotécnica S.A., que se encarregou de entregar o Laboratório de Solos em pleno funcionamento, mediante pequena comissão, tendo prestado, também, orientação para a aquisição do material necessário.

 

No que concernia aos Ensaios Mecânicos dos Materiais, conseguiu-se finalmente, graças à intervenção do Magnífico Reitor e cio Sr. governador do Estado, no Banco do Brasil, o ágio mínimo para o câmbio necessário ao pagamento de um laboratório “Amsler", diretamente importado da Suíça.

 

Para atendimento da instalação inadiável de laboratórios e oficinas no novo local de funcionamento da Escola, em 1956 foram adaptados alguns velhos pavilhões que haviam pertencido à Prefeitura. Os gastos foram pequenos, visto que as obras limitaram-se ao estritamente necessário para atender a uma situação provisória.

 

A partir daquele ano, diversos laboratórios foram implantados e todas as instalações da Escola puderam ser consideravelmente ampliadas e melhoradas com a aquisição de móveis e utensílios em geral, além de aparelhagem didática e científica.

 

A Escola recebeu, graças às gestões do Sr. governador do Estado e do Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo, as máquinas para ensaios mecânicos dos materiais, que consistiram importante aquisição para centralizar as atividades científica e técnica da Escola.

 

Além de uma câmara úmida, vários aparelhos foram fabricados para constituir o Laboratório de Mecânica dos Solos.

 

Foram recebidos alguns aparelhos especiais para estudo das analogias elétricas e da extensiometria, que constituíam, além de outras aplicações, em equipamentos básicos para o Laboratório de Modelos de Estruturas.

 

Entre os vários laboratórios cujo equipamento foi acrescido. destacava-se o de Física, para o qual foram comprados ou fabricados nas oficinas da Escola diversos aparelhos para ensino e realização de pesquisa.

 

Mereceu destaque especial o conjunto para estudos por difração de raios X, utilizado para determinações diversas de estruturas cristalinas e também para exame de defeitos de materiais metálicos.

 

As oficinas mecânicas foram ampliadas com algumas máquinas, inclusive um torno de tipo grande e urna fresadora.

 

Este setor, além de fabricar vários aparelhos para os laboratórios da Escola, consertava automóveis e máquinas existentes, executava trabalhos de alunos e passou a realizar também serviços para oficinas e repartições públicas. Além de prestarem importante auxílio nas aulas práticas, em muitos casos, as oficinas tornaram possível a confecção e a reforma de peças e aparelhos que dificilmente poderiam ser adquiridos, seja por sua raridade ou pelo alto preço.

 

Em 1957, apesar de serem escassos os recursos financeiros, fez-se o possível não só para melhorar os laboratórios existentes como para instalar outros.

 

O Laboratório de Mecânica dos Solos era considerado um dos melhores do país pela qualidade de sua aparelhagem e por sua organização. Contava também a Escola com os laboratórios de Eletrotécnica e Máquinas Elétricas, o de Física Técnica e o de Modelos de Estruturas. Este último dispunha de auxílio do Conselho Nacional de Pesquisas para aquisição de aparelhos, contratação de um técnico e algumas bolsas de estudos. Parte da orientação para sua montagem foi recebida do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa.

 

Embora com unidades, em sua maioria, emprestadas ou doadas (chaves, motores, geradores, reostatos, retificadores, transformadores, etc.), o Laboratório de Eletrotécnica e Máquinas Elétricas foi organizado de maneira bastante moderna e eficiente.

 

Desenvolveu-se consideravelmente o Laboratório de Física Técnica e Máquinas de Fluxo com a instalação de novas unidades, bancos de provas, etc., e com a construção, na própria Escola, de um túnel para estudo da cavitação e de fenômenos produzidos por perfis escalonados.

 

Logo após o término do Bloco E-1 foram tomadas as providências para a construção de um pavilhão do tipo industrial, denominado Bloco E-2, com 800 m2, concluído em 1958. Além do Laboratório de Hidráulica, destinou-se a abrigar os Laboratórios de Ensaios Mecânicos de Materiais e Metalurgia, cadeiras estas que estavam instaladas provisoriamente em um prédio alugado, na Rua Episcopal, 1289.

 

Além de um grande aproveitamento da área interna, acrescida de um piso em plano superior, a cobertura do Bloco era uma armação de aço ultraleve, que deixava livre todo o vão transversal e longitudinal.

 

Entre 1959 e 1960, teve continuidade a equipagem dos locais de trabalho, visando à execução das atividades de ensino e pesquisa.

 

Vários aparelhos destinados à Física do Estado Sólido e à Física Aplicada, especialmente instrumentos de medida de alta precisão, geradores de campos, etc., foram adquiridos para a cadeira de Física Geral e Experimental, regida pelo professor Sérgio Mascarenhas Oliveira.

 

Muitos equipamentos foram construídos, dentre os quais um túnel aerodinâmico para estudos de cavitação e escalonamento de perfis, sob a orientação do professor Rui Carlos de Camargo Vieira, e um dinamômetro projetado pelo professor Dano Finzi, destinado aos bancos de provas de motores. A Escola havia recebido doações que lhe permitiram dispor de coleção de motores com potências de 35 a 1.300 HP.

 

Sob a chefia do professor Dante Angelo Osvaldo Martinelli, o Laboratório de Estruturas recebeu e construiu vários aparelhos de medida originais que facilitaram extraordinariamente os serviços prestados em incontáveis obras diversas em todo o Brasil. Citam-se, dentre elas, as medidas de tensões e outros estudos feitos nos reservatórios da Secretaria de Viação e Obras Públicas, em Osasco; no teto do Pavilhão da Exposição Internacional da Indústria e Comércio, no Rio de Janeiro; e na Ponte Internacional de Foz do Iguaçu.

 

Também foi providenciado equipamento para estudos do "efeito-chão" e materiais mais adequados para a construção de pequenos automóveis voadores, sob orientação do professor Urbano Ernesto Stumpf.

 

Foi ampliado o aparelhamento do Laboratório da Cadeira de Metalurgia, regida pelo professor Rubens Lima Pereira, que realizava estudos referentes à redução de minérios de ferro.

 

Sob a orientação do professor Alfredo Bandini, no Laboratório de Hidráulica cuidava-se das instalações para realização de experiências diversas, como ensaios e medidas de vazões até 180 litros por segundo.

 

Como suporte das atividades didáticas, de pesquisa e administrativas, em 1955 tiveram início os serviços gráficos, anexos à Biblioteca. Foram adquiridos um aparelho de impressão tipo Multilith e uma oficina de encadernação. O funcionamento do setor propiciou rapidez e fácil fiscalização na elaboração de apostilas, diagramas, instruções, impressos, trabalhos científicos e outros. Permitiu também considerável economia para os cofres públicos a encadernação das coleções de revistas que podiam "ser adquiridas com maior facilidade e por mais baixo preço quando em brochura".

 

Esta atividade foi o embrião do atual Serviço de Apoio a Publicações, que abriga a gráfica da Escola.

 

Biblioteca

 

A formação da Biblioteca contou com muita dedicação e atenção especial. Iniciou-se como suporte aos estudos das ciências básicas, com muitas coleções completas de revistas, além de considerável quantidade de livros e de assinaturas de centenas de periódicos. Para os estudos de engenharia, vários livros e assinaturas de revistas também passaram aos poucos a integrar o acervo bibliográfico.

 

Foi criada em 1953, a denominada Seção de Bibliografia e Documentação, depois, Biblioteca Central e atualmente, Serviço de Biblioteca. No final de dezembro desse mesmo ano, entre livros e periódicos, seu acervo contava com 2.603 volumes. Em 1965, o acervo foi subdividido e deu origem às Bibliotecas do Instituto de Física e Química de São Carlos e Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos.

 

A Biblioteca da Escola é um verdadeiro núcleo de atendimento às necessidades do processo ensino-aprendizagem, ocupa papel fundamental na difusão de informações entre pesquisadores e profissionais, no assessoramento de estudiosos, alunos, órgãos públicos e demais entidades. Possui acervo cultural integrado por livros técnicos, títulos de periódicos reunidos em volumes, teses, filmes, mapas, folhetos e normas, dentre outros, caracterizando-se como uma das maiores e melhores bibliotecas do país na área de Engenharia, motivo pelo qual é constantemente solicitada por Instituições congêneres.

 

Atende regularmente a quase 4.000 usuários reais (inscritos) e mais de 6.400 potenciais, distribuídos entre Instituições nacionais e internacionais, de segunda a sábado. Participa dos programas de Comutação Bibliográfica e de Empréstimo entre Bibliotecas, fornece levantamentos bibliográficos em CD-ROM e on-line e orientação formal e informal ao usuário, além de orientar e executar normalização bibliográfica e catalogação na fonte, dentre outros serviços. Participa de redes de informação e educação como a Rede de Bibliotecas da Área de Engenharia (REBAE); Rede de Serviços da Área de Ciência e Tecnologia (ANTARES); Red Panamericana de Información y Documentación en Ingegnieria Sanitaria y Ciencias del Ambiente (REPIDISCA); e Ibero-American Cientific and Technology Consortium (ISTEC).

 

À disposição dos usuários há publicações básicas como: Diretrizes para elaboração de dissertações e teses — 2ª edição (ISBN 85-85205-04-0), Material educativo do Programa de Educação de Usuários (PEU), além de microcomputadores e terminais de acesso à Internet e às bases de dados nacionais e internacionais.

 

Corpo Discente

 

Como elementos de suma importância na formação do engenheiro, verifica-se em "Orientações no Ensino da Engenharia", contidas no Anuário da Escola de 1953 a 1957, que o professor Theodoreto de Arruda SoFoi elaborada uma estrutura didática de curso capaz de propiciar aproveitamento comparável aos melhores cursos internacionais de engenharia, habilitado ao reconhecimento pelas maiores instituições de ensino do mundo.

 

Procurou-se fornecer ao engenheiro unia formação integral, capaz de levá-lo a interagir satisfatoriamente com a sociedade, com os meios de produção e com os setores governamentais. Assim, aliou-se à oferta da instrução formal com orientações para a busca de contínuo desenvolvimento, o ensino de disciplinas humanísticas.

 

O curso fundamental, comum a todos os alunos, ministrado em quatro semestres, constituía-se de Matemática, Física, Mecânica Geral e Química, como alicerces das matérias que seriam estudadas mais tarde e também como meio essencial de formação da mentalidade dos futuros engenheiros. Praticava-se, além disso, o desenho técnico e à mão livre.

 

Dentre os competentes e renomados profissionais formados pela Escola, exercendo atividades industriais, de consultorias, realização de projetos, ensino e pesquisa, há diversas lideranças nacionais, políticas e empresariais, bem como dirigentes de instituições educacionais dentro e fora da Universidade de São Paulo.

 

Dentre os competentes e renomados profissionais formados pela Escola, exercendo atividades industriais e de consultorias, realizando projetos, ensinando e pesquisando, há diversas lideranças nacionais políticas e empresariais, bem como dirigentes de instituições educacionais dentro e fora da Universidade de São Paulo.

 

Paralelamente à excelência cio ensino, foi sempre enfatizada a importância das relações aluno-Escola, sob a diretriz de urna busca de entrosamento construtivo e espírito de colaboração entre os corpos discente e docente. Assim, foi fundado O Centro Acadêmico “Armando de Salles Oliveira'', cujos estatutos foram aprovados pelo Conselho Universitário em 22/3/1954.

 

Consta, nas disposições gerais cio documento, a expressa proibição ao "trote", substituído pela recepção cordial entre os calouros.

 

Conforme salientado em ofício cio diretor da Escola, foram estabelecidos, também, "ótimos objetivos no sentido de proporcionar à classe acadêmica, reais benefícios e o mais alto nível intelectual e moral".

 

historia eesc mobilizacaoComo atividades complementares aos currículos dos cursos de graduação nos primeiros anos de funcionamento da Escola, eram realizados pelos estudantes visitas, estágios e viagens ao exterior. Eram também organizadas várias excursões a obras e indústrias. Foram visitados, como ainda ocorre hoje, os mais importantes complexos industriais brasileiros, barragens, obras de auto-estradas, canteiros de obras e outras instalações.

 

O próprio Centro Académico já teve uma Seção de Estágios que muitas vezes, com a colaboração de docentes, organizava estágios para alunos durante o período de férias.

 

Os estudantes promovem atualmente reuniões recreativas e culturais, destacando-se, no início das atividades do Centro, a realização de conferencias por renomados professores, eventos esses que trouxeram real benefício, em termos de esclarecimentos, e serviram de incentivo e de diretriz vocacional para os alunos.

 

As instalações do Centro Acadêmico, que incluíam 2 salas e respectivo mobiliário, foram inauguradas em 30/9/1954, no prédio da Casa d'Itália. Entre 1959 e 1960, deu-se o início das construções do Pavilhão Social no atual Campus e, com a conclusão das obras e sua ocupação, houve o desenvolvimento da agremiação em vários setores, como a promoção do estreitamento de relações com a indústria e a instituição de um grupo encarregado da inserção de engenheiros recém-foi macios no mercado de trabalho.

 

Posteriormente, foram realizadas melhorias nas instalações do Centro Acadêmico, construção cie piscina, quadra de bola ao cesto e campo de futebol.

 

Empresa EESC Jr.

 

Foi lançada em agosto de 1991 a ideia de implantar no Campus da USP em São Carlos a Empresa Júnior.

 

Foi instituído um grupo de aproximadamente vinte alunos do curso de engenharia e teve início um amplo estudo sobre a viabilidade da implantação dessa empresa na Escola de Engenharia de São Carlos.

 

O grupo de alunos foi subdividido, a obtenção de informações tomou-se mais eficiente, realizaram-se contatas com outras empresas juniores e houve participação em seminários. Todos os dados obtidos foram discutidos em reuniões semanais e organizou-se um cronograma para as atividades previstas.

 

Finalmente, em 1992, foi criada a Empresa Júnior dos Alunos da Escola de Engenharia de São Carlos, EESC jr., entidade sem fins lucrativos, formada e gerida por estudantes dos cursos de Engenharia e Arquitetura.

 

A Empresa EESC jr. tem por objetivo capacitar humana e profissionalmente seus membros, funcionando como um laboratório de aperfeiçoamento, que enseja contato direto do aluno com o mercado de trabalho, por meio de prestação de serviços de assessoria empresarial e de vivência em uma pequena empresa. Visa também estimular o surgimento de urna consciência empresarial, por intermédio da integração da Universidade com a sociedade e as empresas.

 

São desenvolvidos projetos e fornecidas consultorias nas áreas de Engenharia e Arquitetura, com o atendimento aos clientes pautado no profissionalismo e na ética. O desenvolvimento dos projetos conta com acompanhamento de professores ou profissionais com formação e experiência na área, os quais orientam e supervisão durante a prestação das atividades.

 

As micro e pequenas empresas podem obter, por intermédio da Empresa EESC jr., soluções tecnológicas inovadoras pelo acesso facultado aos melhores recursos existentes dentro da Universidade de São Paulo, com o apoio da Escola de Engenharia de São Carlos.

 

Além da orientação por professores altamente capacitados, os membros da Empresa têm acesso a uma estrutura laboratorial muito bem equipada e a bibliotecas com acervo de qualidade.

 

Atualmente, a EESC jr. conta com aproximadamente 50 membros e apresenta-se como modelo e ponto de referência para outras empresas juniores, participando efetivamente da consolidação do Movimento Empresa Júnior no País.

 

A participação do aluno em uma Empresa Júnior significa oportunidade ímpar de desenvolver na prática o aprendizado acadêmico, vivenciar o cotidiano de uma empresa, tomar decisões, demonstrar iniciativa, aprender a solucionar problemas, enfim, desenvolver seu potencial.

 

 

Campus 2

 

No final dos anos 90, o campus da USP em São Carlos começou a sentir os primeiros reflexos da falta de espaço físico. Localizado na região central da cidade - com 32 hectares -, a área, a cada ano, foi ficando limitada a grandes construções. De início, a idéia era encontrar um terreno próximo, para o qual pudessem ser transferidos alguns serviços da universidade. No entanto, com a aprovação do curso de Engenharia Aeronáutica, no início de 2001 e a possibilidade de implantação de outras carreiras na USP-São Carlos, tiveram início as tratativas para que fosse criado um novo campus no município. A decisão foi corroborada pelo Programa de Ampliação de Vagas e Criação de Novos Cursos do Governo do Estado.

 

Um grupo foi designado pelo reitor para o estudo e execução dessa expansão. Os trabalhos começaram em maio do mesmo ano, com o objetivo de encontrar uma área que não representasse custos à universidade. Com a divulgação na imprensa da proposta de um novo campus, além de São Carlos, Prefeituras, Câmaras Municipais e proprietários particulares da região passaram a oferecer áreas.

 

Encerrado o prazo para ofertas, em agosto começaram as análises de cada área. No total, foram 14 propostas: cinco delas em São Carlos, uma na divisa com o município de Ibaté e outras oito em cidades da região (Araraquara, Batatais, Brotas, Descalvado, Leme, Matão, Porto Ferreira e Mococa). Para que a seleção fosse feita de modo fundamentado dos pontos de vista técnico, urbanístico e econômico os membros do grupo elaboraram uma série de critérios de pontuação, entre os quais estavam: dimensão da área, distância do atual campus, acessibilidade, presença de fontes poluentes, infra-estrutura, topografia e impacto ambiental.

 

No dia 11 novembro de 2001 o então reitor Jacques Marcovitch anunciou a área melhor classificada, com 73 hectares, a 4 km do atual campus e oferecida pela empresa Novo Tema Empreendimentos Ltda, através da Prefeitura Municipal de São Carlos.

 

Em janeiro de 2002 a reitoria da USP criou duas comissões para atuarem junto ao novo campus: uma com o objetivo de cuidar do projeto acadêmico e outra com a função de elaborar o Plano Diretor e desenvolver a estrutura administrativa do Campus - Área 2.

 

Com a assinatura da escritura de doação da área e liberação de três milhões e vinte mil reais do Governo do Estado, no dia 8 de agosto de 2002, tiveram início as primeiras obras de implantação. Neste dia, começou a perfuração para estacas do Galpão de Apoio. Depois foram sendo executados outros serviços como: sondagem do solo - para definição de sua formação geológica -, terraplanagem de algumas vias de acesso e da rotatória principal e cercamento da área.

 

Paralelamente começavam a ser desenvolvidos os projetos dos prédios do Curso de Engenharia Aeronáutica e do sistema viário total do campus.

 

Com uma significativa área de preservação ambiental, em torno de 30% do terreno, os investimentos também se voltaram para a recuperação da reserva legal e das ATPs.

 

No dia 21 de fevereiro de 2003, o Campus 2 ficou maior. Representantes das empresas Faber Castell e Sobloco assinaram escritura doando 5,8 hectares à Universidade (totalizando 78 hectares). A área incorporada - na divisa sul - possibilitou o aumento dos espaços edificáveis e a adequação do projeto viário interno com a avenida de acesso ao campus. Para o local também está projetada a construção do Centro de Convenções da USP-São Carlos.

 

Em 2004, outro terreno, também doado pela Novo Tema Empreendimentos, foi incorporado a área, que passou para 102,4 hectares.

 

O primeiro prédio didático concluído foi o do curso de Engenharia de Computação. A inauguração aconteceu em 15 de janeiro de 2005 em uma cerimônia que contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o Governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o Reitor da USP, Adolpho José Melfi. Cerca de um mês depois, o Campus - Área 2 recebia os primeiros alunos. No mesmo ano, em 4 de novembro, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, descerrou a placa de inauguração oficial do Campus – Área 2.

 

Atualmente a EESC tem instalado no campus 2 os prédios das seguintes áreas: Aeronáutica, Computação, Ambiental e Materiais e Manufatura.  

 

 

 

 

Fonte: Livro 50 Anos da EESC - Organizador Ruy Alberto Corrêa Altafim

 

 

EESC para você         

AlumniUSP

Mais Buscados

Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo.