Simpósio em São Carlos mostra os projetos que a USP desenvolve voltados à comunidade

Como a maioria dos estudantes no final do ensino médio, Eric Martins ficou atormentado com as dúvidas que costumam rondar a mente de quem está às vésperas do vestibular: será que essa profissão é a mais indicada para mim? Vou gostar do curso? O que posso esperar do meu futuro profissional? O que ele não imaginava é que, apenas um ano depois daquele tempo de incertezas, já estaria trabalhando em um projeto, na USP em São Carlos, para ajudar outros estudantes a resolverem dúvidas similares às que o atormentaram naquela época, quando ainda morava em Jandira.

 

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Hoje, Eric Martins é o desenvolvedor do site Território do Bixo, um portal dedicado a fornecer informações especialmente para os estudantes interessados em seguir uma carreira na área de computação, matemática ou estatística. O projeto faz parte do Programa Aprender com Cultura e Extensão, uma iniciativa com o objetivo de apoiar ações de cultura e extensão da USP que promovam a inserção dos estudantes de graduação em atividades capazes de contribuir com sua formação e gerar resultados para a sociedade. Na próxima terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de novembro, o público da região de São Carlos terá a oportunidade de conhecer os projetos participantes do programa. É quando acontecerá o 5º Simpósio Aprender com Cultura e Extensão, no salão de eventos e ginásio de esportes do campus da USP, promovido pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU). A participação no Simpósio é gratuita e aberta a todos os interessados (confira a programação e faça sua inscrição).

 

Na tarde do dia 17 de novembro, das 13 às 17h30, Martins estará em frente ao pôster do projeto Território do Bixo, mostrando um pouco do que está desenvolvendo: “É uma satisfação saber que, com meu trabalho, posso ajudar outros estudantes a tomarem uma melhor decisão em relação ao seu futuro profissional. Nosso objetivo é, através do site, reunir em um só lugar todas as informações necessárias para os vestibulandos, algo que não tive”.

 

icmc_visita4Atualmente, Martins cursa Sistemas de Informação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Mas há um ano, quando estava às vésperas do vestibular, ficou muito indeciso entre dois cursos: Sistemas de Informação e Ciências de Computação. “Eu tive dificuldades em encontrar as informações que poderiam me ajudar a tomar uma decisão. Não havia um site reunindo tudo em um mesmo ambiente”, conta o estudante.

 

Para resolver seu dilema, Martins conversou com alguns colegas que já estavam na universidade e haviam optado por Sistemas de Informação. Em fevereiro, ele ingressou no curso e, desde agosto, ele recebe uma bolsa no valor de R$ 400,00 para desenvolver o Território do Bixo. Seu principal desafio, agora, é aprimorar os conhecimentos na área de programação para que o site torne-se uma plataforma cada vez mais atraente: “Como estou no primeiro ano do curso, surgem várias dúvidas quando estou desenvolvendo o projeto. Então, preciso pesquisar bastante e as informações que obtenho realizando essas pesquisas me ajudam no curso”. Por outro lado, o estudante conta que as disciplinas da área de programação também lhe fornecem conteúdos importantes para desenvolver o site.

 

“Para os estudantes, é um grande aprendizado poder participar de um projeto como esse. Eles podem vivenciar na prática quanto o ensino, a pesquisa e a extensão são conceitos indissociáveis”, explica a professora Solange Rezende, presidente da Comissão de Cultura e Extensão do ICMC. Solange coordena o projeto Território do Bixo, que começou a ser desenvolvido um ano e meio atrás, quando outra bolsista fez parte da iniciativa: Jéssika Dalambaris, aluna do curso de Engenharia de Computação. “É gratificante poder desenvolver ferramentas que possam contribuir socialmente. Meu objetivo foi tentar criar um ambiente descontraído e divertido para o vestibulando, que apresentasse os conteúdos relevantes e, ao mesmo tempo, mostrasse todos os recursos que o nosso Instituto oferece”, afirma Jéssika, que atuou no projeto durante um ano e foi responsável por criar a identidade visual do site.

 

Para ela, foi um grande aprendizado ter a experiência de reunir em um ambiente web um material denso e, ao mesmo tempo, preocupar-se com a forma como esse conteúdo deveria ser disponibilizado ao público-alvo. “Acredito que o Território do Bixo fará a diferença, uma vez que oferece um ambiente completamente voltado ao vestibulando e possui todas as informações necessárias para sua escolha, oferecendo uma visão de dentro do ICMC para quem está fora dele”, finaliza a estudante.

 

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Conscientização - Outra pesquisa de destaque do programa que será apresentada durante o Simpósio será o Projeto educativo para a minimização de resíduos sólidos para os restaurantes universitários dos campi de São Carlos da USP. Orientada pelo professor Fernando Almada, do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), desde 1994, conta com a cooperação da administração dos restaurantes e obteve sucesso não só na diminuição do desperdício de alimentos, como também de outros resíduos sólidos, como talheres e copos descartáveis que eram distribuídos aos usuários como única opção. Atualmente, o USP Recicla distribui as canecas duráveis a cada aluno ingressante e os talheres são lavados e higienizados, evitando que cerca de 500 mil copos sejam descartados por ano e ainda mais talheres.

 

De acordo com a aluna Marcela Marzochi, do curso de Engenharia Elétrica, nos últimos anos, o "projeto foca a conscientização dos usuários dos refeitórios com relação ao desperdício de alimentos comestíveis, o chamado resto-ingesta - comida que sobra na bandeja, mas poderia ser consumida -,  por meio de pesagens semanais e da exibição dos resultados mensais nos refeitórios e conseguiu reduzir a média de desperdício por usuário em 60%. Temos buscado novos meios de comunicação e contato com os alunos a fim de aumentar o nosso alcance e, para isso, criamos uma página online do projeto no Facebook: Reduzir e Repensar". O projeto também está aberto à participação de voluntários. Se você tem novas ideias, se identifica com a causa e tem vontade de colocar em prática seus conhecimentos, conheça a iniciativa.

 

Para Marcela, participar do projeto tem trazido o "aprendizado de assuntos que são recorrentes no universo da engenharia, mas que, muitas vezes, não são aprendidos em salas de aula, como relações interpessoais, identificação e solução de problemas, bem como o desenvolvimento do meu lado criativo, buscando novos meios e métodos de comunicação com meus colegas. Além disso, me fez enxergar questões ambientais que antes não eram evidentes e repensar minhas atitudes do dia a dia, trazendo para dentro de casa o conhecimento obtido na Universidade, por meio desta extensão".

 

História e Arquitetura de São Carlos - Há também um projeto que estimula o conhecimento sobre os edifícios de valor arquitetônico, histórico e cultural da cidade de São Carlos, por meio da manipulação de sistemas interativos, e é ligado ao Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos de Linguagem em Arquitetura e Cidade do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU).

 

simposio_aprender_3_2A pesquisa Patrimônio Arquitetônico, Design e Educação: Desenvolvimento de Sistemas Interativos Lúdicos, iniciada em 2012, permite a exploração, representação e consequente apropriação desse patrimônio pelo cidadão de forma lúdica e criativa, contando com três tipos de sistemas interativos: blocos tridimensionais manipuláveis, executados em madeira, jogos educativos em meio digital com uso de tablets e modelos tridimensionais em dobraduras em papel.

 

Os testes pilotos foram aplicados junto a alunos do Projeto Pequeno Cidadão da USP de São Carlos e da Escola Municipal Álvaro Guião, com o intuito de capacitar os professores e disponibilizar os jogos nesses ambientes.

 

Universidade Aberta - Se fosse necessário escolher uma palavra para definir o programa Universitário por Um Dia (1Dia), essa palavra seria “integração”.

 

Institucionalizado em 2011 no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, o 1Dia é atualmente financiado pelo próprio IFSC e pela Pró-Reitoria de Graduação (PRG/USP), contando também com auxílios da PRCEU, e já tendo recebido cerca de 17 mil alunos e professores de escolas públicas e privadas do país.

 

simposio_aprender_3Por ser considerada um “carro chefe” entre as atividades do Instituto, o 1Dia, coordenada pelo educador do IFSC Herbert Alexandre João, dá suporte a diversas outras atividades, como recentemente ocorrido com a Física do Cotidiano e a exposição Luz ao alcance das mãos, esta última sendo visitada por diversos participantes do programa.

 

Outro destaque no quesito “integração” vai para as edições especiais do 1Dia, como uma edição recente que recebeu somente professores de física das escolas públicas da região e a edição especial para alunos premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).

 

O programa, que tem como objetivo principal desmistificar a carreira de um físico, tanto em relação ao mercado de trabalho quanto em relação à própria academia, foi o responsável pelo ingresso de 36 alunos no IFSC. O 1Dia também apoia a iniciativa da PRG #vocêtambémpode, responsável por divulgar informações relevantes a alunos de escolas públicas sobre o ingresso na USP e sobre auxílios financeiros oferecidos pela Universidade.

 

Serviço

5º Simpósio Aprender com Cultura e Extensão
Quando: 17 e 18 de novembro de 2015, 9h30 às 18 horas - Abertura com a presença da Orquestra Sinfônica da USP
Local: Salão de Eventos e Ginásio de Esportes do Campus USP de São Carlos
Endereço: Av. Trabalhador são-carlense, 400, Parque Arnold Schimidt, São Carlos, SP
Informações no site: http://prceu.usp.br/aprender/simposio
Entrada gratuita

 

Por Denise Casatti, da Assessoria de Comunicação do ICMC,
Assessorias de Comunicação do IFSC, EESC, PUSP-SC e IAU

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